Tradição do Folar resiste aos séculos

Tradição do Folar resiste aos séculos

“Ainda há pouco me ofereceram um folar” – confessou o Pe. Manuel Alves à Agência ECCLESIA em relação à tradição dos folares na Semana Santa na zona de Valpaços (diocese de Vila Real). Está nesta paróquia há dezenas de anos mas vive com aquele povo as tradições ancestrais. A Feira do Folar de Valpaços realiza-se no fim de semana de Domingo de Ramos e já está “enraizada nesta gente” porque “o trigo que nós colhíamos era esplêndido e de primeira qualidade”. E recorda com sabor nostálgico: “ainda me lembro das malhadas feitas nesta região”. Na cidade de Valpaços existe ainda o Bairro das Lajes porque era aí que se faziam as malhadas. Nesse local, os homens com os seus malhos “esmagavam o trigo e o centeio”.

Para além das searas, este concelho também é “muito rico nos produtos do fumeiro e na castanha”. Bens que dão nome à terra e a tornam mais conhecida. A Feira do Folar é um exemplo disso: “feito nas várias aldeias do concelho, o folar está exposto para venda aos milhares de visitantes que acorrem a esta localidade no fim de Semana dos Ramos” – avançou Sandra Araújo, elemento da Câmara Municipal de Valpaços. Uns compram-no na localidade mas “outros recebem-no em suas casas gratuitamente”. O Folar de Valpaços simboliza “a amizade entre as pessoas” e o “relacionamento entre os familiares”. Muitos dos habitantes que «fugiram» destas paragens para outras localidades recebem-no e “lembram-se das suas raízes” – descreveu o Pe. Manuel Alves.

Como diz o povo «cada terra tem o seu uso e cada roca tem o seu fuso» e “nós aqui temos o folar que pode ser considerado um símbolo pascal”. O ovo – um dos elementos para a feitura do folar - “tem em si um conteúdo de vida que está dentro da casca. É o símbolo da Ressurreição de Cristo. O ovo parece que está morto mas tem vida e o folar sem ovo não é folar”” – relatou o pároco.

Quando falta uma semana para da festa das festas dos cristãos, o Pe. Manuel Alves contou que as pessoas vivem “intensamente as cerimónias da Semana Santa”. Nas celebrações da Semana Santa “era impossível a realização desta feira” porque “temos sermões diários”. E avança: “se a semana santa morresse em Valpaços era como tirar o coração à vida espiritual deste povo”.

Senhora da Roca

Na Quinta-Feira e Sexta-Feira Santa realiza-se também uma procissão quaresmal em Valpaços. Levada no andor “transportado pelas senhoras”, a Senhora da Roca – uma “imagem que só tem mãos e cabeça” - sai às ruas da cidade “toda adornada”. Os homens têm a seu cargo o andor do Senhor dos Passos. Depois os andores encontram-se e “temos um sermão que muitas vezes faz chorar as pessoas” – disse a tia Aninhas.

Fonte: Agência Eclésia